Permissionários do Ceasa concordam com resolução

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Produtor em Ibaiti e permissionário do box Rei do Morango, Alcir José de Oliveira já trabalha com a rotulagem do seu produto.

 

Na Ceasa de Londrina, permissionários de boxes e produtores que comercializam “na pedra” parecem tranquilos em relação à nova resolução sobre rotulagem, que começa a vigorar no mês de julho. Entre uma maioria que considera o trabalho positivo, alguns já realizam a rotulagem de produtos e vão precisar apenas adequar as informações. Outros ainda têm dúvidas sobre como a legislação será colocada em prática. Porém, uma pergunta é unânime: haverá fiscalização para quem não cumprir a resolução?

O proprietário do box Bananas Curipá, Laudir Novack, trabalha com um dos produtos que deverá receber a rotulagem a partir de 1º de julho. Ele comenta que costumava rotular sua carga, mas atualmente não o faz mais. “Como ninguém exigia, percebi que não compensava e fui deixando de lado. Espero que agora funcione de verdade e que todos, de fato, cumpram a resolução”, salienta.

Na opinião de Novack, a identificação valoriza os produtos dos comerciantes, dando destaque para a marca. “O consumidor procura uma fruta limpa, livre de excessos de agrotóxicos, e essa identificação vai ajudar neste quesito de segurança alimentar. Outro ponto positivo é que aqueles que trabalham na ilegalidade, inclusive aqui dentro do Ceasa, vão ter que se regularizar pois os seus clientes vão exigir isso. No que diz respeito aos custos, considero que serão mínimos”, complementa.

Produtor em Ibaiti e permissionário do box Rei do Morango, Alcir José de Oliveira já trabalha com a rotulagem da sua fruta com muitas das informações exigidas na nova resolução, como nome do produtor, validade, peso líquido, entre outras. Ele acredita que os custos com a nova etiqueta devem aumentar em torno de 30%, mas está bem tranquilo. “Sempre considerei que rotular meus produtos fosse importante. Não vai trazer tantos benefícios para mim neste momento, mas acho bom que todos cumpram essa nova regra”, completa Oliveira, que comercializa em torno de 30 mil bandejas por semana na Ceasa.

Já o produtor de tomate e proprietário do Box do Tomate, Antonio Albuquerque, ainda tem algumas dúvidas de como irá trabalhar agora. Isso porque ele comercializa não apenas a produção dele, mas também de cerca de dez tomateiros vizinhos da sua propriedade, em São Jerônimo da Serra. “Não posso rotular como se toda a produção fosse minha, já que não quero assumir essa responsabilidade pelo produto dos outros. Acredito que cada um terá que desenvolver seu próprio rótulo e, no momento da venda aqui na Ceasa, faço a rotulagem de cada um dos produtos na hora. É a alternativa mais interessante. Mas, de forma geral, acho que as informações sobre a procedência dos produtos é bem importante para o consumidor final”, finaliza ele, que vende entre 150 a 200 caixas diárias de tomate.

O gerente da Ceasa Londrina, Marcos Augusto Pereira, comenta que este é um processo “normal e natural” para que se atenda com maior eficiência o Código de Defesa do Consumidor. “Toda cadeia está saindo da zona de conforto, mas é algo que irá reconhecer a qualidade dos produtos comercializados e, quem não cumprir, acabará restringindo muito o mercado de vendas, já que todos vão exigir a rotulagem.”(V.L.)

Fonte: Folha Rural